A CORRELAÇÃO DE FORÇAS DO FUTEBOL BRASILEIRO: o jogo possível das mudanças

Ensaio para a elaboração de uma política do futebol brasileiro

João Paulo S. Medina
Diretor da Universidade do Futebol

“Tenho em mim todos os sonhos do mundo”
(Fernando Pessoa)

O jogo é de futebol, mas bem que poderia ser um jogo de xadrez. Em uma análise atenta sobre o atual cenário do futebol brasileiro, é possível identificar-se duas grandes tendências, apesar de nem sempre muito nítidas. De um lado estão as forças que querem as mudanças conjunturais e estruturais do futebol brasileiro. Do outro, persiste um pensamento que, consciente ou inconscientemente, defende a sua manutenção. Sabemos que, em qualquer área de atuação, existem aqueles que alimentam o “status quo” simplesmente por serem incapazes de enxergar as limitações do cenário atual, e outros que o defendem por interesses dos mais diversos, alguns evidentemente pouco abonadores.

Leia mais

Sem categoria

O que é Educação Física?

Edição revista e ampliada
25a. edição do livro A Educação Física cuida do corpo… e “mente”

A Educação Física no século XXI: ainda em busca de sua(s) identidade(s)

”… velho é tudo aquilo que já não contribui para tornar a felicidade um direito de todos. À luz de um novo marco civilizatório, há que se superar o modelo produtivista-consumista e introduzir, no lugar do PIB (Produto Interno Bruto) a FIB (Felicidade Interna Bruta), fundada numa economia solidária.”
 (Frei Betto)

O livro A Educação Física cuida do corpo… e “mente foi concebido e escrito entre 1981 e 1982 e sua primeira edição publicada no início de 1983. Ele fazia parte da Coleção Krisis – O Pensamento Social em uma época de crise, dirigida e coordenada pelos ilustres professores João Francisco Regis de Morais e Carlos Rodrigues Brandão. Naquela época, lembro-me que muito me honrou, ainda bastante jovem, ver este singelo ensaio no meio de obras de diferentes áreas do conhecimento que tratavam de “questões sociais em uma época de crise” e de autoria de verdadeiros “craques da escrita”.  Além do orgulho de estar no meio deste time, confesso que fiquei também surpreso, alguns meses depois do seu lançamento, quando informado pela Editora Papirus, através do seu saudoso e brilhante editor Milton Cornacchia, de que a primeira edição havia se esgotado. A surpresa continuou nos anos seguintes em face de seguidas reedições e reimpressões.

Hoje, passados quase três décadas, quando redigia o prefácio para a 25ª. edição, revista e ampliada, senti um misto de orgulho e de decepção. O orgulho evidentemente por conta do meu trabalho continuar, ao longo de tantos anos, sendo lido e recomendado não só por professores de Educação Física, como também por alunos que procuram embasar sua formação profissional através de uma visão crítica, humana e social de sua prática. Já a decepção se deve a constatação de que muitas das observações, críticas e denúncias feitas naquela época ainda se mostram bastante (eu diria demasiadamente) pertinentes. Questões suscitadas pela falta de qualidade do ensino (da educação como um todo), pelo reducionismo biológico de influência cartesiana e positivista, pela despolitização das práticas físicas e esportivas entre outras levantadas na época continuam vivas.

A Educação Física cuida do corpo… e “mente teve – e penso que ainda tem – o mérito de propiciar ao leitor interessado na área, uma reflexão crítica sobre a sua prática. É bem verdade que hoje uma leitura criteriosa desta obra deve considerar o contexto histórico, sociocultural e político que o Brasil vivia no começo dos anos 1980, ainda sob influência do golpe militar instaurado em 1964 e as enormes limitações que se impunha a tudo que era dito e escrito publicamente à época em nosso país[1].

De qualquer forma o ensaio contribuiu naquele momento como ferramenta de luta principalmente contra o autoritarismo, o individualismo de natureza burguesa e a suposta neutralidade científica e política que envolvia a Educação Física no Brasil. Contribui também para desencadear uma crise[2] em vários sentidos no próprio seio da Educação Física brasileira. Questionamentos sociológicos, antropológicos e filosóficos não podem mais ficar fora do debate em torno da teoria e prática (práxis) desta área profissional e do conhecimento. Afinal, são elementos indispensáveis para que a Educação Física continue buscando a sua identidade (ou seriam identidades?).

Quando discuti com a minha editora a proposta de uma reedição revista/atualizada e ampliada desta obra me vi diante de um dilema: valeria a pena mexer em ideias e conceitos que refletiam um momento (o meu, inclusive) histórico de uma época difícil de nossas instituições e de nossa sociedade? Reli atentamente o ensaio e, afora alguns ajustes e correções que permitem mais clareza ao texto, resolvi mantê-lo intacto! Mudá-lo ou alterar qualquer ideia ou conceito significaria mutilá-lo, ou na melhor das hipóteses escrever um novo livro.

A novidade ficou por conta do acréscimo em forma de anexos de 3 curtos, porém consistentes e instigantes ensaios que serviram para atualizar o debate em torno das questões que afetam a Educação Física nos tempos atuais. São três abordagens distintas que, como diria o meu amigo e pensador Vitor Marinho de Oliveira, trazem no seu bojo concepções de consenso e concepções de conflito.

Àqueles que se interessam pelo assunto e mesmo àqueles que já leram alguma edição anterior, vão encontrar nesta versão visões atualizadas da Educação Física, através destes 3 novos ensaios. O primeiro deles escrito pelo Valter Bracht, reconhecido pesquisador e pensador da EF que generosamente concordou em publicar o ensaio ao qual chamou de A Educação Física brasileira e a crise da década de 80: entre a solidez e a liquidez, contendo estimulantes e controversas questões de nosso tempo. O segundo desenvolvido pelo Marcelo Hungaro, professor crítico, engajado e estudioso das lutas sociais e que faz uma análise da Educação Física numa perspectiva marxista. E finalmente o prof. Rogério dos Anjos, introduzindo as ideias, no meu modo de ver ainda pouco discutidas criticamente entre nós, do brilhante Prof. Dr. Manuel Sérgio, em torno da chamada Ciência da Motricidade Humana.

Enfim a nova edição e versão de A Educação Física cuida do corpo… e “mente se propõe a oferecer mais munição para o debate em torno das questões desta área do conhecimento de forma radical, rigorosa e de conjunto que é em última instância o papel da reflexão verdadeiramente crítica. Reflexões que inspiradas na experiência e na prática podem retornar a elas no sentido de transformá-las.

 

A mensagem do livro “A Educação Física cuida do corpo… e ‘mente’

No início da década de 1980, quando este ensaio crítico foi escrito, era moderno dizer que a educação física não cuidava só do corpo, mas também da mente. A ideia foi desenvolver argumentos que demonstrassem que esta área do conhecimento humano só teria um sentido verdadeiramente transformador se incorporasse às suas dimensões corporais e mentais ou psicológicas, a dimensão social. Nesta direção é que escrevi A Educação Física cuida do corpo… e “mente”.
 (João Paulo S. Medina)

Que educação física é essa que cuida do corpo e “mente”?

Há décadas se discute sobre o papel da Educação Física (EF) e seus conceitos. Entretanto, há ainda uma dificuldade em explicar o que realmente significa esta área do conhecimento humano, pois nem ela própria tem se justificado. Afinal, quando falamos em EF pensamos logo em corpos sarados, suados e dispostos somente a malhar, numa dimensão individualista e alienada. Embora haja núcleos de exceção, isto ainda tem acontecido com muita frequência. O número de jovens que tem buscado este curso é ascendente e é ainda grande a porcentagem dos que se inspiram na ideia do “corpo perfeito”, ao invés de buscar uma compreensão mais crítica e histórica deste corpo. Não são poucos os que ao depararem com a função social e o sentido verdadeiramente transformador da EF se frustram, se limitam ou até resistem a aceitar este papel.

O fato é que em pleno século XXI permanece a crise de identidade da EF. A crise reivindicada e instalada a partir do momento em que foram questionados seus pressupostos, particularmente na década de 1980, ainda não foi suficiente para identificar a área dentro do peso ou valor que deveria ter na construção de uma sociedade mais justa, democrática e participativa.

A escola, onde os professores alienados se excluem e se calam diante das reuniões decisivas por não saberem opinar e fazer inter-relações com os demais professores, é um dos exemplos que demonstram a tese do atual estágio em que se encontra a EF. Os próprios professores, em grande parcela, não conseguem identificar o verdadeiro significado da EF. São manipulados e manipuladores, prendendo-se às velhas questões fragmentadas e, portanto descontextualizadas do movimento de construção da cidadania.

Mas afinal, onde está a tal crise?  Quem será o mediador ou a mediadora, capaz de trazer juntamente com a crise, os elementos para a verdadeira transformação social. Existe realmente esta hipótese? Ou será ela uma utopia?

Velhas questões exigem novas respostas. É preciso adentrar neste campo tão especial e desvendar os mistérios e caminhos a percorrer para que possamos alcançar uma EF que seja também instrumento de luta e que busque incessantemente esta transformação do ser humano, comprometida com o aspectos bio-psico-socioculturais. A EF não pode continuar conhecida apenas como produtora de pessoas saradas, incapazes de pensar, e nem tão pouco por uma concepção fragmentada e fragmentadora, mas que seja reconhecida pelo seu valor em desenvolver o ser humano em sua totalidade. É preciso, sobretudo, reconhecer que o homem é um ser incompleto, carente, carregado de mistérios e contradições e a partir daí buscar a transcendência não só em termos individuais como também coletivos.

Somente nesta perspectiva é que a EF pode exercer sua influência com o objetivo de estimular o processo de transformação de uma sociedade que temos para uma sociedade que queremos. E é também neste sentido que o profissional de EF pode tornar suas ações, dentro dos diferentes processos pedagógicos, verdadeiramente transformadoras.

Para entender os conceitos básicos expressos no ensaio

Consciência – estado pelo qual o corpo percebe a própria existência e tudo o mais que existe.  Neste sentido a consciência está gravada no corpo.

Educação – passa pela decodificação dos signos sociais impressos no nosso corpo.

Níveis de consciência, segundo Paulo Freire:

a) Intransitiva

b) Transitiva Ingênua

c) Transitiva Crítica

Consciência Intransitiva

É a que caracteriza os indivíduos incapazes de percepções além das que lhes são biologicamente vitais.  Vivem praticamente sintonizados no atendimento de suas necessidades de sobrevivência.  O conhecimento da realidade é reduzido às necessidades biológicas vitais.

O portador deste nível de consciência pode ser considerado como um “ser no mundo” plenamente “possuído pelo mundo”.

Consciência Ingênua

Os portadores desta modalidade de consciência são capazes de ultrapassar os seus limites vegetativos ou biológicos. Restringem-se, entretanto, às interpretações simplistas dos problemas que os afligem.  Suas argumentações são inconsistentes. Acreditam em tudo que ouvem, leem ou veem, muitas vezes tendendo ao fanatismo.

São também “dominados pelo mundo”.  Não conseguem explicar a realidade.  Seguem prescrições que não entendem.

Consciência Crítica

É característica dos indivíduos capazes de transcender amplamente a superficialidade dos fenômenos. Procuram buscar as causas destes fenômenos.  Eliminam as influências dos preconceitos.  Percebem claramente os fatos que os condicionam em suas relações existenciais, tornando capazes de transformá-los.

O portador deste nível de consciência pode ser considerado um “ser no mundo” e um agente de transformações.

A Educação Física segundo os níveis de consciência

1)      Educação Física Convencional

Concepção apoiada na visão de senso comum.

Visão dualista ou pluralista: corpo x mente x alma.

EF como uma “educação do físico”.

Os aspectos biológicos ou anátomo-fisiológicos predominam.

Preocupação com os aspectos físicos da saúde ou do rendimento motor.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “conjunto de conhecimentos e atividades específicas que visam o aprimoramento físico das pessoas”.

Os aspectos psicológicos e sociais aqui ocupam um papel periférico, secundário ou mesmo irrelevante. Há ainda os que argumentam que esses aspectos intelectuais, morais, espirituais e sociais devam ficar a cargo de outras instâncias da educação.

Os profissionais adeptos desta concepção (e portadores do nível de consciência intransitiva) não são capazes de percepções além das que lhes são biologicamente vitais. Esses profissionais são totalmente envolvidos pelos seus contextos existenciais ou pelo meio em que vivem. São objetos e não sujeitos de sua própria história.

2)      Educação Física Modernizadora

Significado mais ampliado em relação à Educação Física Convencional.

Mantém a visão dualista / pluralista: corpo x mente x alma.

Evolui da “educação do físico” para a “educação através do físico”.

Aspectos biológicos ou anátomo-fisiológicos são acrescidos dos aspectos psicológicos, emocionais e às vezes espirituais.

Entretanto, vê a educação muito numa perspectiva individualista.

Para esta concepção a ginástica, o esporte, os jogos, a dança são meios de educação.

No aspecto social, entende que os indivíduos devam moldar-se às funções e exigências que a sociedade lhes impõe.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “EF é a disciplina que através do movimento, cuida do corpo e da mente. Ou a área do conhecimento humano que fundamentada pela interseção de diversas ciências e por meio de movimentos específicos, visa desenvolver o rendimento motor e a saúde (*) dos indivíduos”.

Apesar de certa evolução em relação à concepção convencional, não se pode dizer que os adeptos desta concepção sejam donos do seu próprio processo histórico. Na verdade, como na outra, por possuírem uma consciência ingênua, são de certa forma dominados pelo mundo.

(*) Saúde aqui tem um sentido restrito, ou seja, circunscrito às suas dimensões biológicas e psicológicas.

3)      Educação Física Revolucionária

Procura interpretar a realidade dinamicamente e dentro de sua totalidade e complexidade.

Não considera nenhum fenômeno de forma isolada.

O ser humano é entendido em todas as suas dimensões, e no conjunto de suas relações com os outros e com o mundo.

Está constantemente aberta às contribuições das ciências, na medida em que o próprio conhecimento humano evolui como um todo.

O corpo é considerado em todas as suas manifestações e significações, não sendo apenas parte do ser humano, mas o próprio ser humano. Pode teorizar sobre os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, mas age fundamentalmente sobre o todo.

É “educação de movimentos” e “educação pelo movimento”. A ginástica, o esporte, os jogos, a dança são meios de educação.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “E.F. é a arte e a ciência do movimento humano que, por meio de atividades específicas, auxiliam no desenvolvimento integral dos seres humanos, renovando-os e transformando-os no sentido de sua auto realização e em conformidade com a própria realização de uma sociedade justa e livre.”

Essa concepção implica a presença de consciências transitivas críticas, capazes de transcender a superficialidade dos fenômenos, nutrindo-se do diálogo e agindo pela práxis (teoria-prática) em favor da transformação no seu sentido mais humano.

Conceitos de corpo

Na visão tradicional o corpo é o conjunto biológico formado de ossos músculos, nervos, pele, secreções e excreções. Neste sentido ele é tido mais como um instrumento ou objeto.

Já na visão adotada no ensaio (concepção revolucionária) o corpo é um sistema bioenergético que estabelece relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo.  Neste sentido ele é uma expressão de transcendentalidade.


[1] Aos interessados neste assunto (censura no período militar de 1964 a 1985) sugiro a leitura de meu livro O Brasileiro e seu Corpo – Educação e Política do Corpo, Editora Papirus, publicado em 1987 e compare com a linguagem usada no ensaio A Educação Física cuida do corpo… “mente, publicado em 1983.

[2] O tema da crise ocupa um espaço destacado neste ensaio crítico.

Pilares para o Alto Rendimento Sustentado no Futebol

Infraestrutura e Inteligência de Jogo:

Elementos para garantir o sucesso dos clubes

O que é o futebol? Um jogo pautado por 17 regras? Uma prática lúdica que envolve alguns fundamentos como chute, passes, desarme e dribles? Uma atividade competitiva que exige técnica, mas também força, velocidade e resistência?  Um esporte que requer estratégia e inteligência coletiva? Ou, enfim, um espetáculo admirado por milhões e milhões de pessoas no mundo todo?

Na verdade, o futebol é tudo isso e muito mais. Afinal como manifestação da nossa imaginação e criatividade, esta modalidade esportiva envolve toda a complexidade que caracteriza a existência humana. É, portanto, ciência e arte ao mesmo tempo.

Assim é que para decifrá-lo não basta conhecer profundamente princípios de biomecânica, fisiologia, lógica, estatística, técnica ou tática. Se tem alguma coisa que o futebol não é, é ser uma ciência exata, embora muitos ainda insistam em tratá-lo assim, principalmente os cartesianos de plantão.Watch movie online The Lego Batman Movie (2017)

Para entendê-lo precisamos recorrer também aos conhecimentos que nos chegam através das ciências humanas e sociais, tais como a psicologia, a sociologia, a filosofia e a história.

Mas tudo isso também não basta. O futebol é, entre tantas outras coisas, arte. Dentro de todas as representações destinadas ao público (artes cênicas) podemos incluir o teatro, a dança, o circo, a música e, indiscutivelmente o esporte, entendido aqui como uma destacada manifestação da cultura humana. E a arte, não podemos nos esquecer, muitas vezes, tem mais a ver com o que é bonito ou estético do que com o que é prático e objetivo. Neste sentido há uma dose de conflito entre a arte e a ciência que cria certa tensão quando se busca resultados no futebol.

É dentro deste contexto que procuro entender o esporte de alto rendimento, particularmente o futebol profissional.

Tenho buscado ao longo de minha carreira de quase 40 anos trabalhando em clubes de futebol wholesale jerseys no Brasil e no exterior, uma síntese daquilo que poderíamos chamar de “pilares para se alcançar o alto rendimento” nesta mágica modalidade esportiva. Na busca desta síntese tenho me deparado, como toda experiência de vida, com sucessos e, de vez em quando, fracassos. Infelizmente a velocidade dos avanços da ciência e tecnologia não é a mesma em termos de avanços na cultura, educação e valores humanos.

Mas nesta caminhada algo tem se tornado cada vez mais claro: para se obter sucesso sustentável (sucesso aqui entendido como a capacidade de se montar equipes altamente competitivas e que não se limitam apenas às conquistas episódicas ou esporádicas) um clube deve estar apoiado em dois aspectos fundamentais ou pilares: infraestrutura e inteligência de jogo. O primeiro funcionando como pano de fundo do espetáculo que se desenvolve, com todas as suas variáveis, dentro de campo.

Evidentemente tudo deve começar com muita sinergia entre as dimensões políticas, administrativas e técnicas do clube. Dirigentes, funcionários, comissões técnicas e atletas, em um primeiro plano, devem estar focados e afinados em relação às metas a serem atingidas.

Nesta perspectiva a infraestrutura compreende as “condições externas” do trabalho, tais como estádio e centro de treinamento adequados, equipamentos modernos e funcionais, gestão profissional, especialistas de diferentes áreas (técnico-tática, fisiológica, nutricional, médica, psicossocial etc.) capazes de trabalhar de forma integrada (interdisciplinar), entre outros fatores.

Já a inteligência de jogo é a expressão final das “condições internas” do trabalho. Ela envolve qualidades técnicas, liderança, capacitação, educação, controle/inteligência emocional, coesão de grupo e, sobretudo, capacidade da equipe para resolver problemas nas diferentes, imprevisíveis e complexas situações e circunstâncias durante uma partida, um torneio ou um campeonato.

Neste binômio, parece-me, estão concentrados os mais importantes desafios para que um clube de futebol se torne grande e, de fato, forte. Penso que é nesta direção que deve ser investido todos os esforços.

Sabemos que a vitória jamais será garantida; aliás, paradoxalmente muitas vezes quanto mais se acredita nisso, mais riscos se corre. E está aí um dos maiores ingredientes do encantamento que este esporte causa nas pessoas Continued. Mas com toda a certeza, a média dos resultados positivos será consequência de como se lida com estes dois conjuntos de fatores.

Habilidades, conhecimentos e atitude

O tripé de desenvolvimento do atleta de futebol

 

É comum associarmos o talento de um jogador de futebol quase que exclusivamente à sua habilidade corporal, ou seja, à sua capacidade de executar alguns gestos técnicos, como por exemplo, driblar, chutar, controlar, dominar e passar a bola.

 Num sentido mais amplo, entretanto, a habilidade envolve muitos outros aspectos. Segundo Howard Gardner, famoso psicólogo americano, há pelo menos oito tipos de habilidades as quais ele chamou de inteligências múltiplas. São elas: as inteligências lógico-matemática, verbal-lingüística, espacial, musical, corporal-cinestésica, intra e interpessoal, naturalista e existencial.

 Daniel Goleman, outro psicólogo americano, completando este rol de habilidades, popularizou os conceitos de inteligência emocional e mais recentemente o conceito de inteligência social.

 Portanto quando falamos em habilidades, se pretendemos desvendar um pouco da complexidade humana e em particular entender o atleta, temos que superar algumas simplificações que costumamos fazer no futebol.Watch Full Movie Online Streaming Online and Download

 Outro componente necessário para que um jogador possa expressar sua competência e suas habilidades é o conhecimento. Conhecer regras, normas e valores que norteiam o futebol, por exemplo, é fundamental para se obter o sucesso More hints.

 Mas, como os antigos já nos ensinavam “a coisa principal da vida não é o conhecimento, e sim o uso que fazemos dele”. Isto quer dizer que talvez a mais importante qualidade necessária a um atleta não seja nem suas habilidades e nem seus conhecimentos, mas sim as suas atitudes. Atitude aqui entendida como a predisposição para reagir aos diferentes estímulos de maneira positiva ou negativa.

 O atleta ou qualquer pessoa que não tenha atitudes proativas, adequadas e necessárias à superação de seus limites, dificilmente conseguirá projetar e alcançar metas ambiciosas, por mais amplo que sejam seus conhecimentos ou por mais aguçadas que sejam suas habilidades.

 João Paulo S. Medina

www.universidadedofutebol.com.br

A função social do futebol

Em busca de uma abordagem crítica

 Em um outro texto publicado neste blog comentei que o futebol nem sempre é sinônimo de saúde, como muitos imaginam.  Sempre que abordo este assunto, as pessoas parecem ficar surpresas com este meu ponto de vista sobre o futebol, esporte que, sem dúvida, é uma das maiores manifestações culturais do século 20 e nada indica que não será assim, também neste século 21.

Muitas pessoas me questionam. “Medina como você, sendo professor e trabalhando no futebol há tanto tempo, pode falar mal do futebol?”

Penso que ter um olhar crítico sobre o futebol não significa necessariamente falar mal dele.  Pelo contrário, toda visão crítica pode contribuir mais para a valorização das práticas esportivas, do que uma visão ufanista ou de senso comum.Watch movie online Rings (2017)

Defendo que precisamos ter a capacidade para aproveitar o enorme potencial do futebol, para realmente assegurar a promoção da saúde, educação e cultura.

Se o esporte em geral, e o futebol em particular, fosse algo bom por si só, que dispensasse a necessária intervenção competente, positiva e pró-ativa de seus agentes, não veríamos à todo momento exemplos de atletas envolvidos em drogas, atos de violência e corrupção que se repetem dentro e fora dos campos.

Cabe, portanto, àqueles que são os atores responsáveis pelas práticas esportivas, ou seja, treinadores, atletas, líderes comunitários, dirigentes, terem sempre em mente os valores que devem permear o esporte:  solidariedade, cooperação, busca de superação dos limites, constante aperfeiçoamento, o espírito democrático,  respeito aos nossos oponentes etc.

Com uma visão crítica que dê mais clareza quanto à forma em que as relações sociais se dão no interior das atividades lúdicas, educativas e competitivas, talvez, possamos realmente entender o esporte, e em especial o futebol, como um privilegiado instrumento que auxilia o desenvolvimento do ser humano de uma forma geral.

 

 João Paulo S. Medina

www.universidadedofutebol.com.br

Futebol, desenvolvimento e ética

Uma reflexão sobre os valores dos “selvagens” e dos “civilizados”

 

 Acompanhando os acontecimentos no mundo e no Brasil, imagino como poderíamos medir o grau de desenvolvimento que a humanidade atingiu já em pleno século 21 generic cymbalta. E quando falo em desenvolvimento, refiro-me não apenas ao processo de acumulação de riquezas materiais, mas às possibilidades de ascensão das pessoas de uma forma ampla, nos mais variados aspectos.Somos surpreendidos a cada instante com escândalos de toda ordem, que nos fazem questionar se vivemos, realmente, numa sociedade civilizada. Watch Full Movie Online Streaming Online and Download

Para aumentar essas dúvidas basta vermos, também, o que acontece no mundo do futebol, onde a busca pela vitória, vantagens pessoais e institucionais, muitas vezes, atropelam qualquer apelo que realmente justifique tudo aquilo que entendemos como civilizado.

Esta reflexão me trás à mente uma experiência muito interessante, contada há anos por um antropólogo, sobre o comportamento de um povo selvagem. Disse ele que certa vez visitou uma tribo no Mato Grosso, que nunca teve contato com a cultura civilizada, a fim de estudá-la.

 

Ao pesquisar aquela população indígena, buscando entender seus relacionamentos, ele e seu grupo aproveitaram para ensinar algumas práticas de nossa cultura, entre elas o futebol. Os índios gostaram tanto do jogo que começaram a praticá-lo diariamente. 

 

Mas um fato chamou muito a atenção dos antropólogos. Como os índios aprenderam que o grande objetivo da competição era a marcação do gol, quando isto acontecia, de um lado ou de outro, os dois times comemoravam entre si, indistintamente. Afinal alguém tinha conseguido atingir a meta e, portanto, cabia uma celebração coletiva que dispensava o conceito de vencedores e perdedores.

 

Talvez este modelo “selvagem” de ver o futebol não seja o ideal a ser seguido por nós “civilizados”, mas com certeza pode nos inspirar a colocar alguns limites nas nossas ambições, muitas vezes exageradas, para não dizer doentias.  

 

João Paulo S. Medina

www.universidadedofutebol.com.br  

 

O futebol não é sinônimo de educação, saúde ou cultura

A intenção por trás da prática

 

Há uma visão do senso comum que toma o futebol e o esporte de uma forma geral, como sinônimo de saúde, cultura e educação. Visto superficialmente, não temos nada contra este pensamento.

 

Entretanto, precisamos entender que há diferentes dimensões da prática esportiva. O futebol, por exemplo, pode ser praticado como competição de alto rendimento, cujo objetivo primeiro é a conquista, a vitória. Ele pode também ser praticado como proposta educativa, no âmbito escolar e aí o objetivo é mais formativo. E, finalmente, podemos ver o futebol como forma de puro lazer, onde se deve buscar o equilíbrio físico e emocional, a saúde, a descontração e o divertimento. Nesta forma de lazer, o futebol pode também ser considerado como espetáculo, onde os interessados podem participar apenas como espectador, no estádio, à frente da TV ou ouvindo uma transmissão pelo rádio.

 

Mas seja qual for o objetivo, é preciso que entendamos que o futebol não é bom ou benéfico para seus praticantes, por si só. Para que se atinja seus objetivos específicos é sempre necessário que haja uma intencionalidade, ou seja, uma intenção por trás das nossas ações.

 

Na verdade, a prática do futebol, profissional, escolar ou de lazer, depende de seus atores ou líderes que conduzem estas práticas, para que se garanta reais benefícios a todos. Explico: se esses praticantes são pessoas egocêntricas, reprimidas, violentas ou agressivas, é bem provável que estas características sejam reproduzidas e refletidas no jogo. 

 

Portanto, podemos concluir que o futebol pode, sim, ser um excelente instrumento de cultura, de educação e de saúde, mas para que isto ocorra em sua plenitude, é necessário que as pessoas envolvidas em sua prática e, principalmente, os treinadores, professores ou líderes comunitários que conduzem estas práticas, tenham estas boas intenções de forma clara e segura, fato que, infelizmente, nem sempre acontece.

João Paulo S. Medina

www.universidadedofutebol.com.br

Watch Full Movie Online Streaming Online and Download