A Relação entre Neurociência e Futebol

O neurocientista Miguel Nicolelis faz palestra no Museu do Futebol

O Dr. Miguel Nicolelis fala sobre a genialidade de Pelé no Museu do Futebol

É inegável a importância da ciência para o desenvolvimento do esporte de forma geral. Porém paradoxalmente não podemos dizer que o conhecimento científico tenha ainda, em pleno século 21, livre trânsito nos clubes de futebol. Se por um lado, podemos constatar que certos saberes em áreas como a fisiologia do esforço, biomecânica, estatística, estejam presentes no dia-a-dia das comissões técnicas, há outros que ainda não fazem parte das preocupações dos profissionais que trabalham na formação e desenvolvimento dos atletas. É o caso de conhecimentos sobre neurociência aplicada, por exemplo.

No dia 20 de agosto de 2011 esteve no Museu do Futebol em São Paulo, para a realização de uma palestra, o Dr. Miguel Ângelo Laporta Nicolelis (1961- ), pesquisador da Universidade de Duke (EUA), fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (RN) e considerado como um dos mais destacados cientistas no início deste século, pela revista Scientific American. O tema escolhido por Miguel Nicolelis, que é um palmeirense fanático, foi “Como o Cérebro Incorpora a Bola” e que tratou da relação entre a neurociência e o futebol, além de noções sobre seu inovador trabalho de pesquisa.

Durante 60 minutos, misturando seu profundo conhecimento científico com uma incontida paixão pelo futebol, desenvolveu ideias originais sobre a relação metafórica entre o cérebro humano e o universo, a realidade como um grande delírio, tempestade e sinfonia elétrica cerebrais, reflexo e modelo neurais, entre outros assuntos relacionados à neurociência.

No que se refere ao futebol o destaque ficou por conta de considerações a respeito da genialidade de grandes futebolistas e em especial de Pelé e sua impressionante capacidade perceptiva. Em essência procurou trazer alguns elementos que possibilitam ampliar-se a percepção dos jogadores de futebol em suas ações motoras básicas.

O assunto é ainda muito polêmico, mas ao mesmo tempo instigante. E se não puder trazer luzes, muito provavelmente trará pistas interessantes para os profissionais que estudam e procuram desenvolver a metodologia do treinamento no futebol de forma cientifica e séria.

Para os interessados nestas questões ligadas à neurociência sugerimos a leitura do livro de Miguel Nicolelis “Muito Além do Nosso Eu”, Editora Companhia Das Letras.

Muito Além do Nosso Eu de Miguel Nicolelis, Companhia Das Letras