O conceito de educação corporativa no futebol

Os processos e métodos de trabalho técnico nos clubes de futebol não pertencem à instituição. Sua sistematização e aplicação são quase sempre de exclusiva responsabilidade dos profissionais contratados pelo próprio clube e que fazem a gestão técnica de campo de suas equipes (treinadores, preparadores físicos, treinadores de goleiro etc.).
É bem verdade que não há como se fazer de outra forma, uma vez que os clubes não possuem – via de regra – uma filosofia definida de acordo com a sua identidade e modelo de jogo que pretendem implantar em seu departamento de futebol, quer em sua equipe principal, quer em suas categorias de base.

A ideia de o clube ter sua própria proposta metodológica de treinamento e de trabalho é algo novo entre nós. Porém, mesmo na Europa, onde os clubes historicamente tendem a se profissionalizar com mais rapidez do que no Brasil, ainda não são todos que a possuem. Mesmo assim, estão mais avançados em relação à realidade brasileira. Barcelona, Manchester United, Arsenal, Ajax, Porto e Bayern de Munique são alguns dos clubes que investem na construção desta estrutura metodológica institucional.

Nos clubes brasileiros, a dificuldade para a implantação de um modelo técnico consistente de trabalho aumenta em razão da alta rotatividade das comissões técnicas, principalmente do treinador. Frequentemente, um planejamento ou uma proposta de trabalho de médio ou longo prazo não resiste a alguns poucos resultados negativos seguidos.

Desta forma, não há como fugir de um círculo vicioso. É como se comparássemos o clube a um computador (“hardware”), e a metodologia de seu departamento de futebol ao programa (“software”) que faz o computador funcionar. Cada troca de treinador ou equipe técnica o “computador” fica vazio à espera de uma nova “programação”.

Por isso, tudo indica que a tendência contemporânea é que os clubes comecem a definir a sua filosofia de trabalho, a partir de sua própria identidade futebolística ou modelo de jogo de suas equipes e, assim, possam contratar melhor seus profissionais e formar seus atletas conforme o perfil exigido, para darem conta de seus objetivos.

Dentro deste novo contexto é que surge a necessidade dos clubes criarem seus próprios ambientes de aprendizagem, através do conceito de “Universidade Corporativa” ou “Educação Corporativa”.

Este conceito já vem sendo aplicado há um bom tempo – e com sucesso – no mundo empresarial, mas só recentemente começa a ser pensado para o futebol.

A ideia surgiu, originalmente, na cabeça do genial CEO e líder empresarial Jack Welch, que entre 1981 e 2001 conduziu um processo inovador de gestão, transformando a General Eletric em uma das maiores empresas do mundo.

Ele percebeu, por exemplo, que enviar seus melhores funcionários para universidades em busca de conhecimentos de ponta (pós-graduações, mestrados etc.) para capacitá-los e/ou atualizá-los era um erro estratégico, devido a duas questões básicas. Em primeiro lugar porque os custos de investimento em capacitação de um funcionário, que ficava um bom tempo ausente da empresa, eram muito elevados. E em segundo, mas não menos importante, porque o assédio de outras empresas por profissionais qualificados resultava, muitas vezes, em perder seus melhores talentos após todo o investimento feito neles.

Jack Welch resolveu, então, trazer a capacitação para dentro da companhia, treinando e desenvolvendo seus melhores colaboradores na cultura da própria empresa. Ao invés de levar os funcionários à universidade, trouxe a universidade aos funcionários.

Institucionalizou os processos, melhorou o ‘software’ e alargou os caminhos para o desenvolvimento de melhores gestores. Deu a esta ideia o nome de “Universidade Corporativa”.

Trazendo estas reflexões para o cenário do futebol podemos perguntar: Quantos clubes no Brasil têm uma “Universidade Corporativa” ou aplicam o conceito de “Educação Corporativa”?

E mais: quantos clubes irão trocar seus treinadores e/ou comissões técnicas durante a temporada, jogando fora um “software” e trazendo outro novo, dando assim continuidade a um círculo vicioso que tem atrasado o futebol brasileiro?

Eduardo Conde Tega e João Paulo S. Medina

FUTEBOL: ENSINO E EDUCAÇÃO – Reflexões para Professores e Treinadores

FUTEBOL E EDUCAÇÃO – Desafios

O que é aprender a jogar futebol?

Esta pergunta pode ter várias interpretações.

Mas, talvez, caiba antes outra pergunta: Por que ou para que se joga futebol?

Alguns querem se tornar jogadores de futebol profissional, outros querem apenas se divertir.

Seja um ou outro o objetivo principal, como se aprende a jogar futebol?

Será que para aprender a jogar bem esta modalidade esportiva (quer para ser profissional, quer para apenas brincar) é indispensável, antes de tudo, aprender os seus fundamentos, ou seja, dominar e passar a bola, controlá-la ou chutar e driblar, de forma isolada?

Ou será que não podemos aprender a jogar futebol, jogando futebol?

Muitas experiências e teorias pedagógicas demonstram que a partir do ato de jogar, os gestos técnicos como dominar a bola, passar, chutar etc. são fixados de uma maneira muito mais efetiva.
É através do jogo que podemos tomar consciência mais clara de que precisamos melhorar este ou aquele fundamento e não ao contrário.

Pedagogos e educadores nos ensinam que aprendemos melhor aquilo que nos faz sentido. Por isso, não basta o professor ou treinador falar para o aluno ou atleta que ele precisa desenvolver este ou aquele fundamento. Se ele (aluno ou atleta) não perceber aquela necessidade, o treino será mecânico e aborrecido. É preciso vivenciar esta carência no jogo para melhorar a qualidade do treino. Vale mais a qualidade do jogo do que a qualidade do fundamento. Afinal você pode chutar fora do padrão (técnico) e ser um artilheiro, pode ser pouco veloz, mas jogar um jogo rápido, pode não ter muita habilidade, mas ser eficaz no jogo.

O que se aprende ao jogar futebol?

Aqueles que têm uma visão tecnicista do futebol diriam que se aprende a passar e chutar, a dominar e controlar a bola; que os jogadores aprendem a se distribuir no campo, a jogar nas diferentes posições (defesa, meio campo e ataque), além das regras do jogo; enfim, aprende-se a jogar o jogo, ora.

Já aqueles que têm uma visão humanista, sistêmica e complexa do jogo de futebol, afirmariam que além dos fundamentos, dos posicionamentos, das regras e do jogo em si, também se pode aprender a relacionar-se em grupo, a entender as diferenças, a superar preconceitos, a ser mais inteligente e entender que quem sabe mais numa equipe deve ter mais responsabilidade em relação aos que sabem menos. Afinal, o elo mais fraco de uma corrente, reflete a força ou resistência de toda a corrente. Assim também funciona um grupo ou equipe de futebol.

Nesta perspectiva podemos não só aprimorarmo-nos para o jogo de futebol como – e talvez principalmente – para o jogo da vida. Podemos, enfim, através do jogo, nos tornar melhores pessoas.

Cabe, portanto, ao professor/treinador criar o ambiente de aprendizagem, conforme a sua visão.

E qual é a sua visão?

 

Para pensar

É preciso aprender as regras para depois jogar?

Podemos aprender ou mesmo criar as regras durante o jogo? Ou você acha isso um absurdo?

Será que os alunos/atletas podem discutir a sua própria prática? Ou só o professor/treinador, que é quem supostamente sabe mais, que deve falar?

Dá para aprender bem a técnica do futebol só repetindo movimentos mecanicamente?

Atitudes, valores e comportamentos podem ser mudados através da prática do jogo de futebol? Como?

Como educar pelo futebol?

João Paulo S. Medina

A Relação entre Neurociência e Futebol

O neurocientista Miguel Nicolelis faz palestra no Museu do Futebol

O Dr. Miguel Nicolelis fala sobre a genialidade de Pelé no Museu do Futebol

É inegável a importância da ciência para o desenvolvimento do esporte de forma geral. Porém paradoxalmente não podemos dizer que o conhecimento científico tenha ainda, em pleno século 21, livre trânsito nos clubes de futebol. Se por um lado, podemos constatar que certos saberes em áreas como a fisiologia do esforço, biomecânica, estatística, estejam presentes no dia-a-dia das comissões técnicas, há outros que ainda não fazem parte das preocupações dos profissionais que trabalham na formação e desenvolvimento dos atletas. É o caso de conhecimentos sobre neurociência aplicada, por exemplo.

No dia 20 de agosto de 2011 esteve no Museu do Futebol em São Paulo, para a realização de uma palestra, o Dr. Miguel Ângelo Laporta Nicolelis (1961- ), pesquisador da Universidade de Duke (EUA), fundador do Instituto Internacional de Neurociências de Natal (RN) e considerado como um dos mais destacados cientistas no início deste século, pela revista Scientific American. O tema escolhido por Miguel Nicolelis, que é um palmeirense fanático, foi “Como o Cérebro Incorpora a Bola” e que tratou da relação entre a neurociência e o futebol, além de noções sobre seu inovador trabalho de pesquisa.

Durante 60 minutos, misturando seu profundo conhecimento científico com uma incontida paixão pelo futebol, desenvolveu ideias originais sobre a relação metafórica entre o cérebro humano e o universo, a realidade como um grande delírio, tempestade e sinfonia elétrica cerebrais, reflexo e modelo neurais, entre outros assuntos relacionados à neurociência.

No que se refere ao futebol o destaque ficou por conta de considerações a respeito da genialidade de grandes futebolistas e em especial de Pelé e sua impressionante capacidade perceptiva. Em essência procurou trazer alguns elementos que possibilitam ampliar-se a percepção dos jogadores de futebol em suas ações motoras básicas.

O assunto é ainda muito polêmico, mas ao mesmo tempo instigante. E se não puder trazer luzes, muito provavelmente trará pistas interessantes para os profissionais que estudam e procuram desenvolver a metodologia do treinamento no futebol de forma cientifica e séria.

Para os interessados nestas questões ligadas à neurociência sugerimos a leitura do livro de Miguel Nicolelis “Muito Além do Nosso Eu”, Editora Companhia Das Letras.

Muito Além do Nosso Eu de Miguel Nicolelis, Companhia Das Letras

 

O que é Educação Física?

Edição revista e ampliada
25a. edição do livro A Educação Física cuida do corpo… e “mente”

A Educação Física no século XXI: ainda em busca de sua(s) identidade(s)

”… velho é tudo aquilo que já não contribui para tornar a felicidade um direito de todos. À luz de um novo marco civilizatório, há que se superar o modelo produtivista-consumista e introduzir, no lugar do PIB (Produto Interno Bruto) a FIB (Felicidade Interna Bruta), fundada numa economia solidária.”
 (Frei Betto)

O livro A Educação Física cuida do corpo… e “mente foi concebido e escrito entre 1981 e 1982 e sua primeira edição publicada no início de 1983. Ele fazia parte da Coleção Krisis – O Pensamento Social em uma época de crise, dirigida e coordenada pelos ilustres professores João Francisco Regis de Morais e Carlos Rodrigues Brandão. Naquela época, lembro-me que muito me honrou, ainda bastante jovem, ver este singelo ensaio no meio de obras de diferentes áreas do conhecimento que tratavam de “questões sociais em uma época de crise” e de autoria de verdadeiros “craques da escrita”.  Além do orgulho de estar no meio deste time, confesso que fiquei também surpreso, alguns meses depois do seu lançamento, quando informado pela Editora Papirus, através do seu saudoso e brilhante editor Milton Cornacchia, de que a primeira edição havia se esgotado. A surpresa continuou nos anos seguintes em face de seguidas reedições e reimpressões.

Hoje, passados quase três décadas, quando redigia o prefácio para a 25ª. edição, revista e ampliada, senti um misto de orgulho e de decepção. O orgulho evidentemente por conta do meu trabalho continuar, ao longo de tantos anos, sendo lido e recomendado não só por professores de Educação Física, como também por alunos que procuram embasar sua formação profissional através de uma visão crítica, humana e social de sua prática. Já a decepção se deve a constatação de que muitas das observações, críticas e denúncias feitas naquela época ainda se mostram bastante (eu diria demasiadamente) pertinentes. Questões suscitadas pela falta de qualidade do ensino (da educação como um todo), pelo reducionismo biológico de influência cartesiana e positivista, pela despolitização das práticas físicas e esportivas entre outras levantadas na época continuam vivas.

A Educação Física cuida do corpo… e “mente teve – e penso que ainda tem – o mérito de propiciar ao leitor interessado na área, uma reflexão crítica sobre a sua prática. É bem verdade que hoje uma leitura criteriosa desta obra deve considerar o contexto histórico, sociocultural e político que o Brasil vivia no começo dos anos 1980, ainda sob influência do golpe militar instaurado em 1964 e as enormes limitações que se impunha a tudo que era dito e escrito publicamente à época em nosso país[1].

De qualquer forma o ensaio contribuiu naquele momento como ferramenta de luta principalmente contra o autoritarismo, o individualismo de natureza burguesa e a suposta neutralidade científica e política que envolvia a Educação Física no Brasil. Contribui também para desencadear uma crise[2] em vários sentidos no próprio seio da Educação Física brasileira. Questionamentos sociológicos, antropológicos e filosóficos não podem mais ficar fora do debate em torno da teoria e prática (práxis) desta área profissional e do conhecimento. Afinal, são elementos indispensáveis para que a Educação Física continue buscando a sua identidade (ou seriam identidades?).

Quando discuti com a minha editora a proposta de uma reedição revista/atualizada e ampliada desta obra me vi diante de um dilema: valeria a pena mexer em ideias e conceitos que refletiam um momento (o meu, inclusive) histórico de uma época difícil de nossas instituições e de nossa sociedade? Reli atentamente o ensaio e, afora alguns ajustes e correções que permitem mais clareza ao texto, resolvi mantê-lo intacto! Mudá-lo ou alterar qualquer ideia ou conceito significaria mutilá-lo, ou na melhor das hipóteses escrever um novo livro.

A novidade ficou por conta do acréscimo em forma de anexos de 3 curtos, porém consistentes e instigantes ensaios que serviram para atualizar o debate em torno das questões que afetam a Educação Física nos tempos atuais. São três abordagens distintas que, como diria o meu amigo e pensador Vitor Marinho de Oliveira, trazem no seu bojo concepções de consenso e concepções de conflito.

Àqueles que se interessam pelo assunto e mesmo àqueles que já leram alguma edição anterior, vão encontrar nesta versão visões atualizadas da Educação Física, através destes 3 novos ensaios. O primeiro deles escrito pelo Valter Bracht, reconhecido pesquisador e pensador da EF que generosamente concordou em publicar o ensaio ao qual chamou de A Educação Física brasileira e a crise da década de 80: entre a solidez e a liquidez, contendo estimulantes e controversas questões de nosso tempo. O segundo desenvolvido pelo Marcelo Hungaro, professor crítico, engajado e estudioso das lutas sociais e que faz uma análise da Educação Física numa perspectiva marxista. E finalmente o prof. Rogério dos Anjos, introduzindo as ideias, no meu modo de ver ainda pouco discutidas criticamente entre nós, do brilhante Prof. Dr. Manuel Sérgio, em torno da chamada Ciência da Motricidade Humana.

Enfim a nova edição e versão de A Educação Física cuida do corpo… e “mente se propõe a oferecer mais munição para o debate em torno das questões desta área do conhecimento de forma radical, rigorosa e de conjunto que é em última instância o papel da reflexão verdadeiramente crítica. Reflexões que inspiradas na experiência e na prática podem retornar a elas no sentido de transformá-las.

 

A mensagem do livro “A Educação Física cuida do corpo… e ‘mente’

No início da década de 1980, quando este ensaio crítico foi escrito, era moderno dizer que a educação física não cuidava só do corpo, mas também da mente. A ideia foi desenvolver argumentos que demonstrassem que esta área do conhecimento humano só teria um sentido verdadeiramente transformador se incorporasse às suas dimensões corporais e mentais ou psicológicas, a dimensão social. Nesta direção é que escrevi A Educação Física cuida do corpo… e “mente”.
 (João Paulo S. Medina)

Que educação física é essa que cuida do corpo e “mente”?

Há décadas se discute sobre o papel da Educação Física (EF) e seus conceitos. Entretanto, há ainda uma dificuldade em explicar o que realmente significa esta área do conhecimento humano, pois nem ela própria tem se justificado. Afinal, quando falamos em EF pensamos logo em corpos sarados, suados e dispostos somente a malhar, numa dimensão individualista e alienada. Embora haja núcleos de exceção, isto ainda tem acontecido com muita frequência. O número de jovens que tem buscado este curso é ascendente e é ainda grande a porcentagem dos que se inspiram na ideia do “corpo perfeito”, ao invés de buscar uma compreensão mais crítica e histórica deste corpo. Não são poucos os que ao depararem com a função social e o sentido verdadeiramente transformador da EF se frustram, se limitam ou até resistem a aceitar este papel.

O fato é que em pleno século XXI permanece a crise de identidade da EF. A crise reivindicada e instalada a partir do momento em que foram questionados seus pressupostos, particularmente na década de 1980, ainda não foi suficiente para identificar a área dentro do peso ou valor que deveria ter na construção de uma sociedade mais justa, democrática e participativa.

A escola, onde os professores alienados se excluem e se calam diante das reuniões decisivas por não saberem opinar e fazer inter-relações com os demais professores, é um dos exemplos que demonstram a tese do atual estágio em que se encontra a EF. Os próprios professores, em grande parcela, não conseguem identificar o verdadeiro significado da EF. São manipulados e manipuladores, prendendo-se às velhas questões fragmentadas e, portanto descontextualizadas do movimento de construção da cidadania.

Mas afinal, onde está a tal crise?  Quem será o mediador ou a mediadora, capaz de trazer juntamente com a crise, os elementos para a verdadeira transformação social. Existe realmente esta hipótese? Ou será ela uma utopia?

Velhas questões exigem novas respostas. É preciso adentrar neste campo tão especial e desvendar os mistérios e caminhos a percorrer para que possamos alcançar uma EF que seja também instrumento de luta e que busque incessantemente esta transformação do ser humano, comprometida com o aspectos bio-psico-socioculturais. A EF não pode continuar conhecida apenas como produtora de pessoas saradas, incapazes de pensar, e nem tão pouco por uma concepção fragmentada e fragmentadora, mas que seja reconhecida pelo seu valor em desenvolver o ser humano em sua totalidade. É preciso, sobretudo, reconhecer que o homem é um ser incompleto, carente, carregado de mistérios e contradições e a partir daí buscar a transcendência não só em termos individuais como também coletivos.

Somente nesta perspectiva é que a EF pode exercer sua influência com o objetivo de estimular o processo de transformação de uma sociedade que temos para uma sociedade que queremos. E é também neste sentido que o profissional de EF pode tornar suas ações, dentro dos diferentes processos pedagógicos, verdadeiramente transformadoras.

Para entender os conceitos básicos expressos no ensaio

Consciência – estado pelo qual o corpo percebe a própria existência e tudo o mais que existe.  Neste sentido a consciência está gravada no corpo.

Educação – passa pela decodificação dos signos sociais impressos no nosso corpo.

Níveis de consciência, segundo Paulo Freire:

a) Intransitiva

b) Transitiva Ingênua

c) Transitiva Crítica

Consciência Intransitiva

É a que caracteriza os indivíduos incapazes de percepções além das que lhes são biologicamente vitais.  Vivem praticamente sintonizados no atendimento de suas necessidades de sobrevivência.  O conhecimento da realidade é reduzido às necessidades biológicas vitais.

O portador deste nível de consciência pode ser considerado como um “ser no mundo” plenamente “possuído pelo mundo”.

Consciência Ingênua

Os portadores desta modalidade de consciência são capazes de ultrapassar os seus limites vegetativos ou biológicos. Restringem-se, entretanto, às interpretações simplistas dos problemas que os afligem.  Suas argumentações são inconsistentes. Acreditam em tudo que ouvem, leem ou veem, muitas vezes tendendo ao fanatismo.

São também “dominados pelo mundo”.  Não conseguem explicar a realidade.  Seguem prescrições que não entendem.

Consciência Crítica

É característica dos indivíduos capazes de transcender amplamente a superficialidade dos fenômenos. Procuram buscar as causas destes fenômenos.  Eliminam as influências dos preconceitos.  Percebem claramente os fatos que os condicionam em suas relações existenciais, tornando capazes de transformá-los.

O portador deste nível de consciência pode ser considerado um “ser no mundo” e um agente de transformações.

A Educação Física segundo os níveis de consciência

1)      Educação Física Convencional

Concepção apoiada na visão de senso comum.

Visão dualista ou pluralista: corpo x mente x alma.

EF como uma “educação do físico”.

Os aspectos biológicos ou anátomo-fisiológicos predominam.

Preocupação com os aspectos físicos da saúde ou do rendimento motor.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “conjunto de conhecimentos e atividades específicas que visam o aprimoramento físico das pessoas”.

Os aspectos psicológicos e sociais aqui ocupam um papel periférico, secundário ou mesmo irrelevante. Há ainda os que argumentam que esses aspectos intelectuais, morais, espirituais e sociais devam ficar a cargo de outras instâncias da educação.

Os profissionais adeptos desta concepção (e portadores do nível de consciência intransitiva) não são capazes de percepções além das que lhes são biologicamente vitais. Esses profissionais são totalmente envolvidos pelos seus contextos existenciais ou pelo meio em que vivem. São objetos e não sujeitos de sua própria história.

2)      Educação Física Modernizadora

Significado mais ampliado em relação à Educação Física Convencional.

Mantém a visão dualista / pluralista: corpo x mente x alma.

Evolui da “educação do físico” para a “educação através do físico”.

Aspectos biológicos ou anátomo-fisiológicos são acrescidos dos aspectos psicológicos, emocionais e às vezes espirituais.

Entretanto, vê a educação muito numa perspectiva individualista.

Para esta concepção a ginástica, o esporte, os jogos, a dança são meios de educação.

No aspecto social, entende que os indivíduos devam moldar-se às funções e exigências que a sociedade lhes impõe.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “EF é a disciplina que através do movimento, cuida do corpo e da mente. Ou a área do conhecimento humano que fundamentada pela interseção de diversas ciências e por meio de movimentos específicos, visa desenvolver o rendimento motor e a saúde (*) dos indivíduos”.

Apesar de certa evolução em relação à concepção convencional, não se pode dizer que os adeptos desta concepção sejam donos do seu próprio processo histórico. Na verdade, como na outra, por possuírem uma consciência ingênua, são de certa forma dominados pelo mundo.

(*) Saúde aqui tem um sentido restrito, ou seja, circunscrito às suas dimensões biológicas e psicológicas.

3)      Educação Física Revolucionária

Procura interpretar a realidade dinamicamente e dentro de sua totalidade e complexidade.

Não considera nenhum fenômeno de forma isolada.

O ser humano é entendido em todas as suas dimensões, e no conjunto de suas relações com os outros e com o mundo.

Está constantemente aberta às contribuições das ciências, na medida em que o próprio conhecimento humano evolui como um todo.

O corpo é considerado em todas as suas manifestações e significações, não sendo apenas parte do ser humano, mas o próprio ser humano. Pode teorizar sobre os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, mas age fundamentalmente sobre o todo.

É “educação de movimentos” e “educação pelo movimento”. A ginástica, o esporte, os jogos, a dança são meios de educação.

Conceito de Educação Física para esta concepção: “E.F. é a arte e a ciência do movimento humano que, por meio de atividades específicas, auxiliam no desenvolvimento integral dos seres humanos, renovando-os e transformando-os no sentido de sua auto realização e em conformidade com a própria realização de uma sociedade justa e livre.”

Essa concepção implica a presença de consciências transitivas críticas, capazes de transcender a superficialidade dos fenômenos, nutrindo-se do diálogo e agindo pela práxis (teoria-prática) em favor da transformação no seu sentido mais humano.

Conceitos de corpo

Na visão tradicional o corpo é o conjunto biológico formado de ossos músculos, nervos, pele, secreções e excreções. Neste sentido ele é tido mais como um instrumento ou objeto.

Já na visão adotada no ensaio (concepção revolucionária) o corpo é um sistema bioenergético que estabelece relações consigo mesmo, com os outros e com o mundo.  Neste sentido ele é uma expressão de transcendentalidade.


[1] Aos interessados neste assunto (censura no período militar de 1964 a 1985) sugiro a leitura de meu livro O Brasileiro e seu Corpo – Educação e Política do Corpo, Editora Papirus, publicado em 1987 e compare com a linguagem usada no ensaio A Educação Física cuida do corpo… “mente, publicado em 1983.

[2] O tema da crise ocupa um espaço destacado neste ensaio crítico.

Multidisciplinaridade, Interdisciplinaridade e Transdisciplinaridade no Futebol

Reflexões sobre a integração de conhecimentos na prática do futebol

João Paulo S. Medina

Sempre ouvi dizer que o futebol é coisa simples, regras fáceis de entender, movimentos naturais etc. etc. Os defensores dessa ideia justificam até que, por causa dessa simplicidade, ele causa tanto encantamento nas pessoas. Sob determinado ângulo pode ser! De minha parte, prefiro incluir o fenômeno futebol, dentro de todas as suas nuances, no mesmo grau de complexidade que nos permite entender e interpretar a natureza humana. Se compreender seus processos fosse tão simples, como afirmam alguns, o ser humano não estaria levando milênios para entender a si mesmo.

(Medina)

Conhecimento no futebol: para quê?

A resposta a esta questão pareceria óbvia, não fosse a tendência ainda dominante (hegemônica) de se defender a ideia que futebol é “uma coisa muito simples”, dando a impressão de que quanto mais conhecimentos trouxermos em torno desse fenômeno esportivo, mais distantes ficamos dos resultados práticos.

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Mano Menezes, Treinador da Seleção Brasileira

Mano Menezes foi treinador da base do Internacional de Porto Alegre

Fico feliz com a notícia de que Mano Menezes é o novo treinador da Seleção Brasileira. Não deixando de considerar as enormes dificuldades que o novo comandante técnico terá que enfrentar, diante da falta de preocupação efetiva da CBF em contribuir para a estruturação do futebol brasileiro, creio que ele poderá levar um pouco de modernidade ao difícil trabalho a ser realizado.

Conheci o Mano no ano 2000 check that. Nesta época eu era Coordenador Técnico do Departamento de Futebol do S. C. Internacional e tínhamos uma vaga para treinador da equipe juvenil. Buscando modernizar o modelo de contratação de nossos profissionais, anunciamos a vaga após definirmos internamente o perfil de profissional que queríamos. Alguns itens deste perfil incluíam que o candidato fosse formado em educação física, atualizado e atento à evolução do futebol em todos os seus aspectos, tivesse experiência com o trabalho de categorias de base, facilidade de comunicação e, sobretudo tivesse ambição de crescimento e liderança.
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Quality: HD
Title : Suicide Squad
Release : 2016-08-02.
Language : English.
Runtime : 123 min.
Genre : Action, Crime, Fantasy, Science Fiction.
Stars : Will Smith, Jared Leto, Margot Robbie, Joel Kinnaman, Viola Davis, Jai Courtney.

From DC Comics comes the Suicide Squad, an antihero team of incarcerated supervillains who act as deniable assets for the United States government, undertaking high-risk black ops missions in exchange for commuted prison sentences.

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