FUTEBOL: ENSINO E EDUCAÇÃO – Reflexões para Professores e Treinadores

FUTEBOL E EDUCAÇÃO – Desafios

O que é aprender a jogar futebol?

Esta pergunta pode ter várias interpretações.

Mas, talvez, caiba antes outra pergunta: Por que ou para que se joga futebol?

Alguns querem se tornar jogadores de futebol profissional, outros querem apenas se divertir.

Seja um ou outro o objetivo principal, como se aprende a jogar futebol?

Será que para aprender a jogar bem esta modalidade esportiva (quer para ser profissional, quer para apenas brincar) é indispensável, antes de tudo, aprender os seus fundamentos, ou seja, dominar e passar a bola, controlá-la ou chutar e driblar, de forma isolada?

Ou será que não podemos aprender a jogar futebol, jogando futebol?

Muitas experiências e teorias pedagógicas demonstram que a partir do ato de jogar, os gestos técnicos como dominar a bola, passar, chutar etc. são fixados de uma maneira muito mais efetiva.
É através do jogo que podemos tomar consciência mais clara de que precisamos melhorar este ou aquele fundamento e não ao contrário.

Pedagogos e educadores nos ensinam que aprendemos melhor aquilo que nos faz sentido. Por isso, não basta o professor ou treinador falar para o aluno ou atleta que ele precisa desenvolver este ou aquele fundamento. Se ele (aluno ou atleta) não perceber aquela necessidade, o treino será mecânico e aborrecido. É preciso vivenciar esta carência no jogo para melhorar a qualidade do treino. Vale mais a qualidade do jogo do que a qualidade do fundamento. Afinal você pode chutar fora do padrão (técnico) e ser um artilheiro, pode ser pouco veloz, mas jogar um jogo rápido, pode não ter muita habilidade, mas ser eficaz no jogo.

O que se aprende ao jogar futebol?

Aqueles que têm uma visão tecnicista do futebol diriam que se aprende a passar e chutar, a dominar e controlar a bola; que os jogadores aprendem a se distribuir no campo, a jogar nas diferentes posições (defesa, meio campo e ataque), além das regras do jogo; enfim, aprende-se a jogar o jogo, ora.

Já aqueles que têm uma visão humanista, sistêmica e complexa do jogo de futebol, afirmariam que além dos fundamentos, dos posicionamentos, das regras e do jogo em si, também se pode aprender a relacionar-se em grupo, a entender as diferenças, a superar preconceitos, a ser mais inteligente e entender que quem sabe mais numa equipe deve ter mais responsabilidade em relação aos que sabem menos. Afinal, o elo mais fraco de uma corrente, reflete a força ou resistência de toda a corrente. Assim também funciona um grupo ou equipe de futebol.

Nesta perspectiva podemos não só aprimorarmo-nos para o jogo de futebol como – e talvez principalmente – para o jogo da vida. Podemos, enfim, através do jogo, nos tornar melhores pessoas.

Cabe, portanto, ao professor/treinador criar o ambiente de aprendizagem, conforme a sua visão.

E qual é a sua visão?

 

Para pensar

É preciso aprender as regras para depois jogar?

Podemos aprender ou mesmo criar as regras durante o jogo? Ou você acha isso um absurdo?

Será que os alunos/atletas podem discutir a sua própria prática? Ou só o professor/treinador, que é quem supostamente sabe mais, que deve falar?

Dá para aprender bem a técnica do futebol só repetindo movimentos mecanicamente?

Atitudes, valores e comportamentos podem ser mudados através da prática do jogo de futebol? Como?

Como educar pelo futebol?

João Paulo S. Medina

6 opiniões sobre “FUTEBOL: ENSINO E EDUCAÇÃO – Reflexões para Professores e Treinadores

  • 08/08/2012 em 09:48
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    Perfeito

  • 02/10/2012 em 09:53
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    Professor Medina, é através de seus textos e de suas colocações, que venho nos últimos anos repensando tudo aquilo que vivi no futebol e qual o meu papel como Professor/Treinador e me descobri como educador, usando o futebol/futsal como uma ferramenta importante, principalmente em meio as comunidades mais carentes que percebem apenas o futebol como meio de atividade física e de recreação, é possível através de jogos adaptados (brincadeiras) de “jogar bola”, estimular capacidades físicas,cognitivas e emocionais (sem desvincular uma da outra)que possibilitam o desenvolvimento de forma integral, promovendo a socialização, o respeito mútuo, a colaboração, a amizade, a inclusão e muitos outros aspectos tão importantes na formação de um ser humano, talvez venha a me repetir, mas entendo que jamais conseguirei retribuir por toda a contribuição que suas colocações, seus pensamentos , seus textos, tem estimulado, esse aprendiz aqui. forte abraço,
    André Luiz.

  • 02/10/2012 em 10:03
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    Caro André: Fico feliz em saber que posso, mesmo que modestamente, ajudar profissionais como você a refletir criticamente sobre sua prática e com isso melhorá-la trazendo benefícios aos nossos jovens através do futebol e do esporte de forma mais geral. Um forte abraço! Medina

  • 02/10/2012 em 11:32
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    Melhor que ler o texto foi ter tido a extraordinária oportunidade de vivênciar estes aprendizados ” in loko ” no ano e meio de convivência entre 2000/2001 contigo professor. Obrigado ! Manoel Santos

  • 02/10/2012 em 12:02
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    Querido Manoel: Que bom ter notícias suas. De fato, foi uma experiência riquíssima aquele nosso período em um clube que precisava de uma revolução interna para decolar. Acho que conseguimos, em equipe, cumprir nossa missão! Um abração! Medina

  • 16/10/2012 em 19:57
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    Amigo Medina, Sou Ednaldo Vieira do Nascimento. Seu ex-aluno, da FMU, Graduando de Educação Física nos anos 1989 a 1992. Ficarei feliz com nosso reencontro. Estou morando no Ceará, desde 1996. Gostaria do seu e-mail ou tel. O meu e=mail é: ednaldo@carbonofixo.com
    Abraços fraternos.

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